Band abre temporada de debates estaduais: veja como foi em SP, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro

A Band deu início neste domingo (9/8) à temporada de debates eleitorais de 2026, com confrontos simultâneos entre candidatos aos governos de 13 estados e do Distrito Federal. Entre os encontros mais aguardados estavam os de São Paulo, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro; quatro disputas que reúnem alguns dos nomes mais conhecidos da política nacional. Veja o que rolou em cada um.

São Paulo: Tarcísio x Haddad, com distância de 2022 no ar

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) tiveram o primeiro confronto direto desde o segundo turno de 2022, quando Tarcísio venceu por 55,27% a 44,73%. Com apenas os dois no palco, os demais concorrentes não atingiram a representação mínima no Congresso exigida pela emissora, o debate passou por educação, segurança pública, a relação financeira do estado com a União (com direito a acusação de Haddad sobre o atraso de Tarcísio em aderir ao Propag) e o impacto do tarifaço americano sobre a indústria paulista. Um dos momentos mais tensos foi quando Haddad insinuou que Eduardo Bolsonaro teria indicado nomes ao secretariado estadual, acusação negada por Tarcísio, que aproveitou para agradecer publicamente a Jair Bolsonaro.

Ceará: Ciro e Elmano protagonizam debate "com ares de segundo turno"

No Ceará, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) e o atual governador Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição, fizeram o que a imprensa local descreveu como o confronto mais quente da noite, o candidato do Novo, Pedro Brito, desistiu de participar horas antes, alegando reorganização de estratégia de campanha após mudanças recentes no cenário político.

O ponto central foi a segurança pública: Ciro questionou os dados oficiais de violência do estado, que classificou de forma irônica como "números da Elmanolândia", e criticou contratos de compra de viaturas e o sistema de videomonitoramento. Elmano rebateu com estatísticas de queda na criminalidade e atribuiu parte dos atrasos em obras ao cenário nacional. O momento mais tenso do debate veio quando Elmano citou uma condenação de Ciro em primeira instância por violência política de gênero, referente a críticas feitas à prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT), Ciro pediu direito de resposta e negou qualquer ataque a mulheres. Saúde, educação, turismo e a Transnordestina também entraram na pauta, além da disputa em torno dos palanques nacionais: Elmano com Lula, Ciro com o PL.

Bahia: Jerônimo evita o embate direto, ACM Neto ataca

Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) dividiu o palco com ACM Neto (União Brasil) e Ronaldo Mansur (PSOL). Análises publicadas após o debate destacaram que Jerônimo optou por evitar o confronto direto com ACM Neto sempre que possível, preferindo direcionar questionamentos a Mansur, enquanto o ex-prefeito de Salvador manteve o foco em atacar a gestão estadual, citando problemas na BR-324, atrasos na ponte Salvador-Itaparica e casos de pacientes que teriam morrido à espera de atendimento pela regulação estadual de saúde.

O momento de maior tensão veio quando Jerônimo tentou associar ACM Neto ao ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, investigado na Operação Unha e Carne, afirmando que ele teria participado da elaboração do plano de governo da oposição baiana. Jerônimo também disse ter sido tratado de forma desrespeitosa no debate por ser indígena e negro, o que ACM Neto rebateu classificando a fala como tentativa de se colocar como vítima. O ex-prefeito ainda afirmou apoiar Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência, e uma pesquisa Genial/Quaest citada durante a cobertura do debate mostrava os dois em empate técnico no primeiro turno.

Rio de Janeiro: Eduardo Paes não aparece e vira alvo da noite

O debate fluminense teve um ingrediente à parte: o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas de intenção de voto, optou por não comparecer, alegando que o período oficial de campanha ainda não havia começado. A ausência transformou Paes no principal alvo dos quatro candidatos presentes, Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo).

André Marinho chamou Paes de "fujão" e resgatou uma promessa de campanha de 2024 em que o ex-prefeito teria dito que não deixaria a prefeitura para disputar outro cargo. Anthony Garotinho questionou os R$ 189 mil declarados por Paes à Justiça Eleitoral e mencionou que o irmão do ex-prefeito ocupa cargo entre os principais executivos do BTG Pactual. Douglas Ruas, por sua vez, criticou episódios do passado de Paes envolvendo mulheres, prometendo que "agressor de mulher vai para a cadeia" em seu eventual governo.

Ruas também passou boa parte do debate tentando se descolar do ex-governador Cláudio Castro e do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, ambos alvos de operações policiais, com Bacellar preso desde março, já que atuou como secretário na gestão estadual. Um dos adversários chegou a insinuar que, não fosse a prisão de Bacellar por operação da Polícia Federal, ele seria hoje o próprio governador do estado. Garotinho, o mais experiente do grupo, usou o espaço para prometer um "cashback" de até 18% em impostos para o funcionalismo público em gastos com alimentação e limpeza, e voltou a defender sua experiência em segurança pública, dizendo que nenhum dos presentes entendia do assunto tanto quanto ele.

E os outros estados?

Além dos quatro debates acima, a rodada de domingo também levou candidatos a governador aos estúdios da Band em Amazonas, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, encontros com menor repercussão nacional, mas que já deram o tom das disputas regionais para outubro.

Embora tenham repercutido menos nacionalmente, esses debates também deixaram seus próprios momentos de destaque:


Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o debate entre Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB) girou bastante em torno da reconstrução do estado após as enchentes, segurança pública e alianças partidárias, com Gabriel Souza, vice-governador que assumiu o Piratini, cobrado por seu apoio ao PT. Juliana Brizola, neta do histórico governador Leonel Brizola, tentou puxar o tom para longe da polarização, defendendo diálogo "mesmo com quem pensa diferente".

Amazonas

No Amazonas, cinco candidatos se enfrentaram, mas o governador Roberto Cidade (União Brasil) preferiu não comparecer, segundo ele, para não se desgastar num debate que seria "marcado por ataques", e mesmo assim virou alvo constante dos adversários. David Almeida apostou tudo na experiência de dois mandatos como prefeito de Manaus, Omar Aziz vendeu a própria trajetória como fiador da "segurança" do estado, e Maria do Carmo tentou se colocar como a candidata da ruptura com quem já esteve no poder.

Goiás

Em Goiás, o debate reuniu Daniel Vilela (MDB), que assumiu o governo estadual após Ronaldo Caiado deixar o cargo para disputar a Presidência, Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis César Bueno (PT), num confronto que girou em torno da herança deixada pela gestão Caiado e de quem seria o legítimo continuador do seu projeto político no estado.

Paraná

No Paraná, o grande assunto acabou sendo uma cadeira vazia: Sergio Moro (PL), apontado como líder nas pesquisas, desistiu horas antes de participar, alegando que os adversários estariam "combinados" contra ele, e chegou a gravar um vídeo, com roteiro e teleprompter, só para anunciar a ausência. Com o debate reduzido a Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), a discussão girou em torno da Ponte de Guaratuba, segurança pública e a comparação entre a atual gestão de Ratinho Junior e os antigos governos de Roberto Requião, pai do candidato do PDT, que aproveitou para chamar Moro de "Sergio, o fujão".

Piauí

Já no Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) chegou como favorito à reeleição e manteve o tom para defender seu governo, associando seu discurso ao de Lula e prometendo 100 mil novos empregos para um eventual segundo mandato, mesmo enfrentando críticas dos quatro adversários, incluindo Dra. Lúcia Santos (PSDB) e Gisvaldo Oliveira (PSOL), sobre segurança, saúde e gestão.

Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e o Distrito Federal também tiveram seus próprios confrontos no mesmo domingo, reunindo nomes como o governador Felipe Camarão (PT) e Eduardo Braide (PSD) no Maranhão; Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) na Paraíba; Cadu Xavier (PT), candidato apoiado pela governadora Fátima Bezerra, e Álvaro Dias (PL) no Rio Grande do Norte; e a governadora Celina Leão (PP) ao lado de José Roberto Arruda (PSD) e Paula Belmonte (PSDB) no Distrito Federal, debates com menor repercussão fora de suas bases, mas que já sinalizam como serão as disputas regionais até outubro.

O que vem por aí

Depois dessa primeira rodada, o calendário eleitoral segue com o debate mineiro (remarcado para 16 de agosto por causa da indefinição de candidaturas no estado) e, no dia 23 de agosto, o primeiro debate presidencial da Band, que deve reunir os principais nomes na disputa pelo Palácio do Planalto.


Debates promovidos pela Band em 9 de agosto de 2026, em transmissão simultânea para São Paulo, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro e outros nove estados e o Distrito Federal.